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Thread: Handel: Rodelinda no Live in HD

          
   
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  1. #1
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    Handel: Rodelinda no Live in HD

    Live in HD, 3 de dezembro de 2011
    Rodelinda, de George Frideric Handel
    Maestro - Harry Bicket (Metropolitan Opera Orchestra)
    Diretor - Stephen Wadsworth
    Cenarios - Thomas Lynch
    Mestre de Cerimonias do Live in HD - Debora Voigt
    Cantores:
    Rodelinda – Renee Fleming
    Eduige – Stephanie Blythe
    Bertarido – Andreas Scholl
    Unulfo – Iestyn Davies
    Grimoaldo – Joseph Kaiser
    Garibaldo – Shenyang

    O Metropolitan reviveu esta montagem de 2004 dirigida por Stephen Wadsworth, apresentada originalmente com a mesma Renee Fleming no papel principal, e revivida novamente em 2006. A producao nao envelheceu, e continua correta visualmente, com bonitos and realisticos cenarios, boa atencao aos detalhes, e bastante espaco de palco para uso dinamico e trabalho de ator. Curiosamente, no principio eu experimentei uma pequena surpresa, de tao acostumado estou a ver operas de Handel em producoes atualizadas para os tempos atuais. Enquanto que muitas tentativas de atualizar as operas de Wagner `as vezes podem ser consideradas questionaveis, as de Handel tiveram ultimamente algumas adaptacoes de muito sucesso para tempos modernos, a tal ponto que quase que se espera que este seja o caso. Esta producao nao demonstrou exatamente os visuais da Lombardia no seculo VII (tempo e local da estoria original) mas pode ainda ser chamada sobretudo de tradicional.

    A voz da senhora Fleming entretanto parece ter envelhecido um pouquinho. Esta foi a segunda vez em que notei alguns sinais de estresse nessa cantora magnifica que tem sido capaz de usufruir de uma longa carreira, gracas `a sua inteligente escolha de papeis. Durante o primeiro ato, eu pensei que em mais de uma ocasiao o controle da afinacao vocal nao foi ideal, e houve ao menos um erro na execucao do passagio. Ela tornou-se mais solida com o tempo e foi muito boa no segundo e terceiro atos, quando a sua voz ja havia tido tempo para esquentar.

    A maioria dos cantores nao desempenhou bem o primeiro ato. Stephanie Blythe (que tambem estava repetindo o seu papel de 2004) e Joseph Kaiser foram ultrapassados pela orquestra algumas vezes, e demonstraram certa falta de agilidade. Novamente, ambos melhoram com o correr da tarde. Pensei que o senhor Kaiser exagerou a sua interpretacao de ator, tambem.

    Mesmo o extraordinario contra-tenor Andreas Scholl teve um momento no primeiro ato quando a sua voz de cabeca subitamente saiu do falseto por alguns segundos. Novamente, os atos subsequentes trouxeram melhora, e seu canto elegante e delicado tornou-se perfeitamente bem controlado durante o segundo ato (o seu melhor), apesar de ele apresentar-se um pouco embaralhado no terceiro e ultimo ato. O senhor Scholl tambem estava presente na producao de 2006, no mesmo papel de Bertarido, originalmente criado em 1725 pelo famoso castrato Senesino.

    Iestyn Davies entretanto manteve um nivel alto de canto durante os tres atos. Enquanto que ele nao e' tao elegante como o senhor Scholl, a sua voz de contra-tenor tem mais volume e projecao e um som mais impetuoso, o que cai bem para esse personagem (Unulfo) que e' mais juvenil. Ouvir o senhor Davies foi um prazer todas as vezes em que ele pisou no palco.

    O senhor Shenyang que vem da China foi muito bom tambem, deixando como o elo mais fraco nesta apresentacao, o senhor Kaiser. O problema de se deixar ultrapassar pela orquestra tanto para ele como para a senhora Blythe parece ter se corrigido espontaneamente, o que pode tambem ter sido gracas ao conselho do maestro Bricket durante o intervalo.

    Pensei que a orquestra do Met tocando na maior parte em instrumentos modernos (com uns poucos instrumentos do periodo) foi um pouco alta demais e sufocante durante o primeiro ato, mas tornou-se mais delicada depois do primeiro intervalo, portanto eu atribuo essas duas correcoes de curso ao maestro. Naturalmente, isso e' dificil de julgar para alguem como eu que nao estava fisicamente presente, mas meramente vendo o espetaculo atraves do Live in HD, porque o problema acima pode ter sido causado pelo engenheiro de som mais do que pela orquestra. De toda forma, apesar dessa orquestra do Met talentosa e versatil ter sido capaz de se relacionar bem decentemente com esse material barroco, sente-se a falta daquilo que orquestras verdadeiramente especializadas no periodo podem fazer com a musica de Handel.

    Eu gostaria de acrescentar uma palavra sobre as entrevistas atras da cena. `As vezes o Met faz sensacionalismo. Apesar de eu ser um fan decidido dessa compania de opera (e membro doador do grupo de suporte) e apreciar o que eles fazem pela difusao da opera, penso que algumas dessas entrevistas embelezam a realidade. Por exemplo, a insistencia na historia do pobre para o rico durante Siegfried sobre um tenor que afinal ja' tinha cantado aquele papel antes, foi um pouco excessiva. O publico menos informado certamente deve ter tido a impressao de que o tenor passou diretamente da posicao de vendedor de patins no Central Park para desempanhar Siegfried pela primeira vez. Enquanto que na apresentacao desse sabado nada tao exagerado como isso ocorreu, houve varios momentos nos quais os cantores disseram como o senhor Waldworth e' bom ao encoraja-los a acrescentar nuancias interpretativas `as repeticoes das arias da capo. O publico de opera experiente pode ter recebido esses testemunhos com alguma perplexidade. Hum… nao e' esse exatamente o objetivo dessas arias da capo? Apesar de eu nao duvidar de que o senhor Waldworth seja muito competente, que outro diretor decente deixaria de encorajar seus atores/cantores a adicionar nuancias `as repeticoes das arias da capo??

    De toda forma, basta de picuinhas. De maneira geral, foi uma apresentacao muito agradavel, com alguns momentos extremamente bonitos.
    Last edited by Luiz Gazzola (Almaviva); December 7th, 2011 at 01:29 PM.

  2. #2
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    A sessão no Kinoplex estava lotada. Dezenas de casais de velhinhos, cabelinhos brancos, muito falantes e simpáticos esperavam a transmissão começar. Creio que alguns ali, acostumados à ópera belcantista e mozartiana, estranharam bastante a repetição incessante do texto e, principalmente, os contratenores. Depois do choque inicial, porém, acho todos conseguiram apreciar a produção sem maiores problemas.

    Concordo com você, Alma. Tudo começou meio mal. Até o som no Kinoplex estava um pouco baixo. Renée parecia que estava ali por obrigação. Kaiser tem uma voz clara e leve, mas que fica atravancada em coloraturas pouquíssimo fluidas, especialmente nas árias mais rápidas como sua primeira, "Io già t'amai, ritrosa, que exigem uma agilidade que ele não tem. Eu sou suspeito pra falar da Stephanie Blythe, porque a considero uma das vozes mezzo-soprano mais bonitas hoje em dia: volumosa, cheia, com graves riquíssimos. Mas, é claro, poderia ter começado melhor. Confesso que pra mim foi muito difícil comprar um Garibaldo chinês. Sim, eu sei que é preconceito meu, mas demorei demais pra acreditar naquilo, por mais compente que o Shenyang tenha sido.
    E por mais que eu goste do Andreas Scholl cantor, sua primeira aparição foi tão longa e tediosa que quase me deu vontade de chorar. Claro que isso deve muito ao fato de Herr Scholl atuar tão bem quanto o obelisco do cenário... mas pelo menos foi divertido acompanhar a surpresa de alguns vendo incredulamente um homem barbado cantar notas tão altas.
    Iestyn Davis foi, pra mim, a melhor performance. Tem um voz bonita e jovial e sabe como usá-la. Só que... o diretor de corte deveria advertir expressamente seus cantores para nunca, jamais olhar pra câmera. Quebrar a quarta parede num streaming ao vivo de uma ópera barroca completamente tradicional, como esta, é um erro primário. Fica feio, quase constrangedor.
    Outra coisa que me incomodou muito foi a quantidade de vezes que os pesonagens agarravam ou se escoravam em pilares, colunas e congêneres. Senhor diretor, abraçar o postinho não é poético nem dramático. Só fica parecendo que um show de pole dance está prestes a começar e todos estão usando roupas de velcro que serão arrancadas assim que as luzes coloridas começarem a piscar. Sério, te juro que pensei nisso mais de uma vez.
    O garotinho é um ótimo ator. Uma disciplina inacreditável, parecia um bonequinho. Me pergunto por que raios não deixaram o menino se mexer mais... SER um menino. Afinal, quem move a ação dramática é ele!

    Os cenários eram incríveis, mas não precisávamos daquele cavalo no terceiro ato, fiquei com dó do bichinho, ali, completamente gratuito. A orquestra moderna não me incomodou em momento nenhum. Todos eventualmente melhoraram em seus papeis e o resultado foi uma transmissão muito agradável de se ver e ouvir. Fiquei surpresso com a platéia benloka aplaudindo como se não houvesse amanhã. Performances melhores já foram menos aplaudidas no Met.

    E devo admitir que prefiro a Deborah Voigt como hostess à Renée Fleming.

  3. #3
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    Sim, eu concordo que a voz da Stephanie Blythe é muito bonita, cheia e quente, mas como você disse, faltou agilidade nas coloraturas. Como eu disse na área em inglês, em seguida e estimulado por essa apresentação, escutei a mesma ópera na montagem de 2006, também com Fleming, Scholl, and Blythe, e por incrível que pareça, cinco anos fazem uma diferença, porque todos os três estavam bem melhores, e o canto pareceu muito mais energético e cheio de impacto. A gravação de 2006 é muito mais estimulante.

    Gostei muito do seu texto, Festat. Você escreve muito bem, de forma leve, interessante, tanto humorística como séria e informada, o que me faz pensar que a nossa área em português começou muito bem e deverá ter sucesso. Obrigado pela contribuição. Você tem ingressos para outros Live in HD no futuro próximo? Hoje à noite vou ver o Glass em encore. Estão eles levando as apresentações encore em São Paulo?

  4. #4
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    Ah, brigado, Alma. Mas minha coesão é sempre pouco confiável porque escrevo tudo correndo, haha. (:

    Então, eu queria ir ver Fausto, mas quando fui comprar os ingressos já estavam esgotados. Assim que começarem a vender pra Manon e La traviata certamente comprarei.
    As apresentações encore não tão passando aqui em SP, não. De streamings em HD, temos só o Met e o Bolshoi.

  5. #5
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    Quote Originally Posted by Festat View Post
    Ah, brigado, Alma. Mas minha coesão é sempre pouco confiável porque escrevo tudo correndo, haha. (:

    Então, eu queria ir ver Fausto, mas quando fui comprar os ingressos já estavam esgotados. Assim que começarem a vender pra Manon e La traviata certamente comprarei.
    As apresentações encore não tão passando aqui em SP, não. De streamings em HD, temos só o Met e o Bolshoi.
    Mas o Encore faz parte do Met. Uma vez quando eu estava visitando Belo Horizonte, pude ver uma apresentação Encore do Don Carlo com o Roberto Alagna, então se mostram em Belo Horizonte, provavelmente mostram em São Paulo também, não?

  6. #6
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    Sim, eu entendo. Mas eu nunca vi nenhuma apresentação encore aqui em São Paulo, só ao vivo mesmo.
    De qualquer maneira, é bem possível que elas aconteçam e eu é que não saiba. :P

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