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Thread: Entrevista com o barítono brasileiro Paulo Szot

          
   
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    Opera Lively Site Owner / Administrator / Chief Editor Top Contributor Member Luiz Gazzola (Almaviva)'s Avatar
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    Entrevista com o barítono brasileiro Paulo Szot

    Opera Lively entrevistou o senhor Paulo Szot, grande barítono brasileiro de fama internacional, atualmente no papel de Lescaut em Manon (Massenet) no Metropolitan Opera House em Nova York, e ganhador do Toni de melhor ator pelo seu papel no musical da Broadway South Pacific. Publicamos parte da entrevista em inglês, com fotos, biografia, resumo da carreira, e mais informações. Para os nossos amigos bilíngues, essa entrevista pode ser encontrada na nossa página principal, our clicando no seguinte link: Paulo Szot em inglês. No artigo em inglês, pode-se encontrar imagens do Paulo no palco do Metropolitan, outras duas fotos tiradas durante a entrevista, e vídeos com amostras de sua voz, portanto, não deixem de consultar também o artigo em inglês.

    Para o nosso público brasileiro e os fans brasileiros do Paulo Szot, pubicamos aqui a segunda parte da entrevista, com conteúdo diferente, desta vez em português.

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    OL - Por favor, descreva o estado atual da ópera no Brasil. Várias questões podem vir desse tópico. Como é a saúde financeira das companias de ópera no Brasil? Há fundos governamentais?

    PS - Eu realmente não sei. Eu não canto mais no Brasil há muitos anos. A última ópera que eu fiz no Brasil eu acredito que tenha sido em 2004 our 2005. A única idéia que eu tenho de como vai a ópera no Brasil é através de meus colegas cantores que cantaram comigo muitos anos, e a situação que eu ouço dizer é que a situação não é boa, infelizmente.

    OL - Há bons cantores no Brasil?

    PS - O Brasil tem cantores maravilhosos. Da minha geração há o Fernando Portari que obviamente tem uma carreira internacional, a Rosana Lamosa, esposa dele – eles foram grandes colegas no início da minha carreira no Brasil e que cantam além do Brasil, em outros teatros do mundo. Felizmente, porque os outros cantores que não tiveram a sorte ou não conseguiram sair do Brasil estão numa situação muito ruim.

    OL - Onde estão ocorrendo as melhores produções?

    PS - Temos as duas casas de ópera, os teatros municipais do Rio e de São Paulo, e o festival de Manaus. A Fundação Clóvis Salgado de Belo Horizonte onde eu cantei também é muito bacana. Mas o mercado não é muito grande, não sustenta cantores que possam viver da profissão. É muito difícil. Os cantores acabam fazendo parte do coro dos teatros, o que tem dois lados – um lado é a segurança de um salário, o outro lado é a falta da possibilidade de um desenvolvimento de você estar no palco aceitando outros trabalhos que surgem, porque nem sempre você pode largar o coro para fazer outros trabalhos.

    Então, eu vejo uma situação triste. O país é um país de grandes cantores, de vozes lindíssimas. Antes de tudo a beleza vocal dos cantores brasileiros é muito marcante, mas infelizmente eles não conseguem se sustentar.

    Eu tento voltar ao Brasil há muito tempo para cantar, infelizmente não consigo, por uma questão de agendamento, de antecipação das agendas.

    OL – Certo. Aqui nos Estados Unidos eles planejam com muito mais antecedência.

    PS – Três a quatro anos. O Metropolitan está fechando agora a temporada de 2015.

    OL – No Brasil, é a próxima temporada?

    PS – No Brasil às vezes é até alguns meses, então quando o cantor está sem trabalho, aceita, mas geralmente é difícil. E não é nem tanto a culpa da organização nos teatros, o problema maior é o sistema. A direção muda assim como mudam as eleições. A cada quatro anos tudo muda, e se coloca um novo diretor de acordo com o partido eleito ao qual pertence o Secretário de Cultura. Isso é ruim porque não existe uma continuidade, uma visão, uma pessoa que consiga através de gerações fazer uma continuidade de trabalho com uma perspectiva. Tudo acaba.

    E como a gente sabe, no ano de eleição nada acontece, e no ano depois da eleição também nada acontece. Então na verdade a gente tem dois anos de produções a cada quatro anos que são férteis, e depois vem aquele processo todo. É muito difícil porque tudo depende da política. As verbas são difíceis de serem conseguidas, e os cantores quando cantam recebem geralmente atrazados os seus salários. É difícil trabalhar seriamente.

    Estou voltando no início desse ano para um concerto com o maestro Fábio Mechetti em Belo Horizonte, e outro conceito com a instituição TUCCA, uma organização beneficiente de São Paulo para crianças com cancer. Vamos fazer um concerto para eles com metade música erudita, e metade musicais.

    OL – Os salários pagos aos cantores são significativamente menores do que os do mercado internacional?

    PS – Os salários pagos comparam-se aos dos teatros de porte médio no exterior. O problema maior não é o dos pagamentos, e sim o de organização, de agenda.

    OL – Que tipo de popularidade tem a ópera no Brasil? Que tipo de reconhecimento público (ou falta do mesmo) têm os cantores de ópera? Um cantor como você, chega a ser reconhecido na rua?

    PS – Na época em que eu cantava eu me lembro dos espetáculos de ópera lotados, sempre lotados. Muita gente nova vindo assistir, o que é ótimo, com a renovação das platéias. A minha lembrança do público no Brasil é a melhor. As pessoas queriam ver os espetáculos e se divertiam nos espetáculos. Ouviam em silêncio, respeitavam aquele canal de expressão, e queriam aprender também. Eu acho que o brasileiro é isso, tem muita curiosidade com o que é novo, ou com o que não conhece mas ouviu falar, e é aberto para esse tipo de movimento artístico.

    Existem algumas séries de música clássica, existe a Orquestra Experimental de Repertório que vai até as escolas, que introduz a música clássica para crianças que nunca a ouviram, e é muito bacana, e o próximo passo é levar aquelas crianças ao teatro, repertir a experiência num teatro.

    OL – Em termos de celebridade, a popularidade chega a ser suficiente para um cantor de ópera ser reconhecido na rua, ou é um nicho pequeno?

    PS – O pessoal conhece as super-estrelas, a Anna Netrebko, a Renée Fleming, a Deborah Voigt, principalmente as sopranos que estão em evidência, que são as mocinhas dos papéis. Os concertos dos Três Tenores fez com que esses tenores ficassem conhecidos no Brasil também, assim como no mundo inteiro. O Pavarotti, em qualquer lugar do mundo as pessoas sabem quem é.

    OL – Mas e os brasileiros que cantam ópera?

    PS – Eu acho que não.

    OL – Por exemplo, você é reconhecido lá, talvez por causa do South Pacific?

    PS – Lá, não sei, mas aqui em Nova York, por causa do South Pacific, sim. Na época do South Pacific eu era reconhecido, era muito bacana o carinho do público, nas ruas, nas lojas, em todos os lugares. O musical tem isso, essa peculariedade de ser mais popular, principalmente aqui na América. A imagem é mais propagada no meio popular. É tudo uma questão de marketing, como se investe nisso para o sucesso da peça.

    Na época da minha estréia no Metropolitan, eles resolveram fazer o cartaz da temporade de 2010 com O Nariz. Então o meu cartaz do Nariz estava em todos os lugares, aquele com o band-aid preto no nariz, feito pelo William Kentridge que foi um diretor fantástico, um artista plástico sul-africano. Aquele cartaz ficou circulando em ônibus, em todos os lugares da cidade durante a temporada toda. De vez em quando as pessoas me paravam e diziam, “ah, é o cara do Nariz.”



    OL – Mas no Brasil, nem tanto – por exemplo, se você estivesse andando em São Paulo...

    PS – Não, eu acho que não. Não mesmo. Na época to Tony, com os prêmios que geraram bastante mídia, eu acho que sim. No primeiro ano que eu voltei no Brasil depois disso algumas pessoas reconheciam. Mas, se esquecem. Mesmo nos principais jornais, é difícil você ter alguma notícia. Para você ver a diferença, aqui em Nova York – três semanas atrás eu fui indicado para o Olivier Award em Londres, e fiquei sabendo através dos jornais, eles todos noticiaram, eu nem sabia que eu tinha sido indicado e descobri ao ler um jornal online. Infelizmente, no Brasil, apesar de um brasileiro nunca ter sido indicado para o prêmio, ninguém noticiou.

    OL – Você continua cantando música popular?

    PS – O South Pacific abriu várias portas pra mim, foi um momento inegável, um marco na minha carreira. Eu fui convidado para fazer shows, com jazz bands, em cabarés, e eu tenho feito bastante disso, tenho conseguido manejar as duas carreiras, a operística e a popular. Gosto muito de fazer, é um momento no qual eu consigo cantar canções populares que eu sempre quis cantar, que fizeram parte da minha vida.

    Eu faço isso bastante, as pessoas gostam, eu tenho o meu público que é de ópera e o meu público de musicais. Foram dois anos consecutivos no Café Carlyle, que é um lugar muito exclusivo de artistas jazísticos. A New York Pops também me chama para fazer esse tipo de música de musicais. Eu fiz isso o ano passado no Carnegie Hall e vou repetir esse ano aqui em outubro, com a New York Pops, o show de Rodgers and Hammerstein com a Kelly O’Hara que foi a protagonista do South Pacific. Então a minha carreira fica nesses dois primos musicais, a ópera e o musical.

    OL – No futuro quando a aposentadoria vocal chegar, você pensa em fazer algo pelo meio operático brasileiro?

    PS – Nunca pensei, mas posso chegar a isso em qualquer momento, na verdade. A carreira de um cantor é muito incerta. Você pode acordar um dia e ter alguma coisa nas cordas vocais, a gente vê isso o tempo todo, os Villazóns da vida, a coisa pode sumir de uma hora para a outra. Não penso ainda, nunca pensei, mas eu gostaria muito de usar tudo o que aprendi nesses anos todos. Já são quase vinte anos cantando ópera, e passar para a nova geração, no momento adequado. Até de vez em quando eu faço alguns workshops, quando é possível. Quando eu não puder mais estar no palco, eu gostaria de passar o meu conhecimento para a geração seguinte.

    OL – Você poderia nos dizer um pouco sobre a pessoa Paulo Szot, além do cantor Paulo Szot, mesmo que seja difícil separar essas identidades?

    PS – Eu nasci em Ribeirão Pires, que é uma cidade do ABC Paulista. Os meus pais emigraram da Polônia. Eles foram retirados da Polônia durante a Segunda Guerra. Eu digo isso porqué é uma parte muito marcante na minha vida, ser filho de imigrantes poloneses que foram retirados na Segunda Guerra e levados para trabalho forçado na Alemanha, e depois da guerra foram pro Brasil com os pais deles, se conheceram no Brasil. Eu cresci frequentando a colônica polonesa de São Paulo, que era muito ativa culturamente, eles mantinham as tradições polonesas, tinha o grupo de canto, e o grupo de danças folclóricas polonesas, foi uma parte muito grande da minha infância.

    OL – Você falava polonês fluente desde novinho?

    PS – Não, porque eu era o quinto filho, e os meus irmãos mais velhos falavam polonês, mais depois foi se perdendo, os irmãos já traziam amiguinhos brasileiros e dentro de casa se falava português. Mas eu tinha familiaridade com os sons da língua, e entendia sim algumas palavras, mas não falava. Fui aprender polonês quando eu recebi uma bolsa de estudos para estudar na Polônia. Era uma grande curiosidade minha desde a infância, conhecer o país dos meus pais. Eu consegui isso, o governo polonês na época estava dando bolsas de estudos para filhos de imigrantes poloneses.

    OL – Você tem dupla cidadania?

    PS – Tenho. Eu fui para a Polônia com dezoito anos. Na época a minha família não tinha muito dinheiro, a única maneira possível de chegar até a Polônia era de navio cargueiro. Eu peguei um navio cargueiro por 23 dias no alto mar, sem falar uma palavra, com trezentos dólares no bolso – mas sabendo obviamente onde eu ia ficar e com um salário, uma bolsa de estudos para me manter. Não fui totalmente maluco. Tinha pelo menos o básico para me aventurar, mas mesmo assim foi uma aventura. A Polônia era comunista na época. Tudo era muito diferente da minha vida como adolescente no Brasil, desde as necessidades básicas, era muito difícil obter chocolate, um pedaço de carne, produtos de higiene, foi uma transição muito difícil.

    Mas quando eu me ví dentro daquela sociedade, o que me segurou alí foi o apoio às artes que eles tinham. Eu encontrei gente que pensava da mesma forma que eu pensava, gente que tinha a arte como o ar que eles respiravam. Infelizmente mesmo tendo uma família que apoiava as artes, na minha cidade onde eu nascí e no que eu conhecia do Brasil na época, não se oferecia a arte como uma profissão, e sim como um hobby. E eu sempre senti que a arte era a minha profissão, eu tinha que estar no palco. Cheguei à Polônia e ví uma sociedade que tinha muita gente como eu, que também estudava e achava que ser artista era uma profissão e não um hobby. Então eu me sentí muito seguro em relação a isso, e todos os problemas da sociedade comunista passaram a ser secundários. Vivia-se de arte.

    Depois disso houve o acidente do joelho [Paulo Szot começou seus estudos na Polônia em ballet clássico mas rompeu o joelho e teve que abandonar a dança] e comecei a estudar canto. Mas eu sempre gostei de aventura, sempre gostei de me aventurar. Nunca tive mêdo de enfrentar situações inusitadas. Acho que isso me ajuda na minha profissão, porque você vai para teatros que você nunca conheceu, vai enfrentar platéias desconhecidas, mesmo assim você vai, tem que ter um pouco disso, dessa coragem, até um pouco de ousadia. Eu vou para um lugar onde não sou conhecido, e vou botar o pé no palco e mostrar para que eu vim. Tem que ter isso.

    É dificil manter isso, às vezes vem uma insegurança. Quanto mais você canta, e em vez de ficar mais experiente e esse mêdo ficar atrás da coragem, às vezes o mêdo vem antes, principalmente quando você está em grandes palcos, com grandes responsabilidades. Mas você tem que sempre se lembrar – e colocar os pés no chão – que alí é um momento, que você tem que viver no presente, e oferecer o que existe alí no presente, tomando o mesmo risco que você às vezes não pode ser tão perfeito quanto eles esperam. Mas é assim, cada um é humano e faz o que pode.

    OL – Então você se assusta um pouco com o sucesso atual?

    PS – O tempo inteiro, é impressionante, porque é uma relação muito esquisita. À medida que você tem oportunidade de cantar em teatros maiores, também crescem as expectativas do público, dos diretores, de tudo em geral. Isso tem um efeito que mexe alí com o seu interior, porque até então, quando você é um desconhecido, tudo o que vier é lucro. Você vai a um teatro que não te conhece, você é um cantor sem uma carreira muito consolidada, se você for bem, vai ser ótimo, mais um passo. Se você for mal, você vai ser mal naquele momento mas todo mundo vai te esquecer, nem vai lembrar do seu nome. É aquela velha história, quanto maior a árvore, maior o tombo.

    Mas a gente não deve pensar muito sobre isso. É claro que existem momentos em que você pensa, você se conflita com essa realidade. Mas nada que uma boa terapia não ajude (risos). Aqueles medos vêm, e você tenta alí manejá-los, e às vezes è mais forte, às vezes o mêdo te surpreende, num momento em que você não está preparado para aquilo. Então, você pisa no Metropolitan, e você acha que está tudo bem, mas você pisa alí e diz “oh, meu Deus, estou no Metropolitan!” Então você tem que achar uma maneira para se enganar, ou mesmo estar no momento e simplesmente aceitar o fato de que o presente é esse e você tem que viver o presente, sem se precipitar, sem pensar “será que eu vou dar aquela nota direito?”

    Mas é difícil, porque todo o ambiente, toda a sociedade alí diz o contrário. É uma coisa bastante tensa e você tem que se provar o tempo todo, porque as pessoas estão te julgando. Então, para você se distanciar do julgamento e ficar simplesmente na sua pessoa, ficar simplesmente concentrado em você mesmo, é difícil.

    OL – E com as demandas crescendo, fica difícil a vida pessoal, viaja para lá, viaja para cá...

    PS – Muito difícil, a vida pessoal fica inexistente. Você fica viajando de teatro em teatro, tem que ter uma vida de cigano, literalmente. É muito difícil pra quem tem filhos. Eu vejo muitos colegas que sofrem com isso, porque quando a criança é um bebe você consegue levar, mas quando a criança está estudando numa escola, você não consegue tirar a criança mais. Fica difícil, principalmente quando os dois são cantores.

    Mas a vida é assim, você escolheu uma profissão, e era sabido desde o início que seria assim. Não existe outra maneira, e sempre foi assim. Todos os cantores de ópera passam por isso, e de alguma maneira tem-se que achar, dentro da rotina que é árdua com os ensaios e as apresentações, algum tipo de vida coloquial ali dentro.

    OL – Você continua baseado em São Paulo?

    PS – Pois é, durante o musical eu morei aqui em Nova York. O musical foi forçado a me conseguir um Green Card porque a Equity que é o órgão que regulamenta e protege os artistas americanos permite que um estrangeiro fique somente seis meses em cartaz. O show com um grande sucesso, a direção queria que eu ficasse aqui. A única maneira para que eu ficasse era entrar com um pedido de residência permanente nos Estados Unidos. Desde então eu continuo com uma residência nos Estados Unidos, porém eu não vivo aqui o tempo todo. Eu tenho um lugar, mas ele existe esporadicamente. Sempre que eu venho aqui para trabalhar – o que é bastante, às vezes cinco ou seis meses do ano – eu fico aqui.

    Mas eu tenho uma base em São Paulo, que eu sempre tive. Nunca me desfiz da minha casa em Ribeirão Pires, e ela existe. Eu não vou em minha casa desde setembro do ano passado. A minha casa, hoje em dia, é por ai... Eu viajo com cinco malas, roupas de inverno, roupas de verão, primavera, chuva, tudo está alí dentro daquelas malas, e a minha casa são aquelas malas. É assim que é; é muito difícil, mas ao mesmo tempo é uma aventura.

    Quando eu fiquei dois anos e meio aqui em Nova York eu gostei muito da experiência de ficar num lugar só. Foi muito bom, eu tenho essa coisa de casa, eu gosto muito quando eu viajo de transformar o apartamento onde eu estou na minha casa, uma coisa momentânea com as minhas coisas, eu gosto de me sentir em casa. E o musical, com a coisa do South Pacific, eu pude viver aqui em Nova York por dois anos e meio me sentindo cidadão da cidade, participando de tudo que a cidade oferecia, com seus deveres e obrigações. Eu gosto muito, assim que possível eu quero ter um lugar aqui em Nova York para viver aqui por mais tempo, depois que eu não cante mais.

    OL – E você voltou à Polônia depois do fim do comunismo, com a União Européia?

    PS – Eu nunca mais voltei à Polônia, é um grande sonho voltar à Polônia mas eu nunca tive o tempo para tirar férias, na verdade. Sempre trabalhando, trabalhando, trabalhando, com uma semana de férias ou duas semanas de férias entre um trabalho e outro, eu sempre voltava ao Brasil.

    OL – E provavelmente durante as férias você tem que aprender um papel novo, continua estudando...

    PS – Exatamente, é muito difícil tirar férias mesmo. Só quando eu me forço, e compro um pacote de férias e vou para o Caribe, alguma coisa assim para sumir do mundo, não levo laptop, não levo telefone, não levo nada. Mas isso é muito raro de acontecer. Mas de vez em quando eu sou obrigado a fazer, porque a pressão é muita, eu preciso de um tempo para mim também.

    OL - Há no Brasil um movimento organizado dos fans e dos jornalistas, com publicações especializadas e web sites como o nosso, Opera Lively?

    PS – Sim, há o Opera e Concertos, eu penso, e também Movimento. Um desses é do José Carlos Neves Lopes, que faz um trabalho há muito tempo pela ópera no Brasil, se você o contactar, diga que foi uma referência que eu te dei. [Nota - os endereços web que Paulo sugeriu não funcionaram; se alguém souber qual é a URL desses sítios de ópera no Brasil, favor responder com um comentário, incluindo a URL correta, obrigado.]

    OL – Muito obrigado, Paulo, foi uma entrevista excelente!

    PS – O prazer é todo meu.
    Last edited by Luiz Gazzola (Almaviva); March 18th, 2016 at 04:41 PM.
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